Pedro Besugo Portugal, 1971

Apresentação

Pedro Besugo vive e trabalha em Lisboa. A sua prática artística desenvolve-se a partir do desenho enquanto estrutura de pensamento, dispositivo de construção e instrumento de leitura do território. Entre o desenho, a pintura e a escultura, a sua pesquisa centra-se nos sistemas que organizam e configuram o espaço (mapas, plantas, redes de circulação, estruturas urbanas e arquitectónicas), procurando compreender de que forma a memória, a história e os processos de transformação se inscrevem na matéria dos lugares.

 

O desenho constitui a matriz operativa de toda a sua obra, expandindo-se frequentemente para o campo tridimensional e assumindo uma dimensão escultórica e instalativa. A partir de grelhas, padrões urbanos, linhas de tensão e sistemas estruturais, Pedro Besugo constrói composições que revelam lógicas invisíveis de organização territorial, convocando simultaneamente a escala da cidade, da arquitectura e da geologia.

A sua pesquisa recente tem aprofundado a relação entre geologia, arquitectura e construção, articulando diferentes temporalidades de sedimentação: o tempo profundo do solo e da matéria e o tempo histórico das cidades e da sua contínua metamorfose. Estas referências emergem sob a forma de estruturas estratificadas que operam como campos de leitura, onde distintas camadas temporais e espaciais coexistem sem fixarem uma representação literal do lugar.

 

Mais do que representar territórios específicos, o seu trabalho propõe uma reflexão sobre a instabilidade do espaço e sobre os processos contínuos de construção, erosão, deslocamento e reconfiguração que definem a experiência contemporânea da paisagem. O processo assume, neste contexto, uma dimensão central, afirmando-se como exercício de mapeamento e interpretação, próximo de uma arqueologia visual do território.

 

Desde muito cedo, a experiência da viagem marcou profundamente o seu percurso pessoal e artístico. Ainda muito jovem percorreu grande parte da Europa e viajou pela Ásia, contactando com diferentes comunidades e contextos urbanos alternativos, experiências que contribuíram para uma atenção particular às dinâmicas sociais e espaciais da cidade e do território.

 

Em 1986 ingressou na Escola Artística António Arroio, em Lisboa, instituição à qual regressaria mais tarde como docente no Departamento de Imagem e Comunicação Audiovisual entre 2007 e 2010. Em 2001 concluiu a Licenciatura em Belas-Artes — Escultura, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e em 2011 obteve o Mestrado em Artes e Educação pela Universidade Lusófona de Lisboa.

 

A sua obra integra diversas colecções públicas e privadas, entre as quais se destacam: Fundação Oriente (Macau, China); Western Union Philippines, para a Colecção de Arte das Embaixadas nos Países da Ásia-Pacífico; Embaixada de Portugal em Tóquio; Banco Privado Atlântico (Lisboa); Ministério dos Negócios Estrangeiros (Lisboa); Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal); Valormed (Lisboa); Pfizer (Anderlecht, Bélgica); Garrigues (Lisboa); e Fundação Portuguesa das Comunicações (Lisboa).

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