Raquel Belli Portuguese, 1982
Raquel Belli é fotógrafa e artista visual, de ascendência italiana, que vive e trabalha entre Portugal e Timor-Leste há mais de uma década.
Licenciou-se em Artes Plásticas pela ESAD – Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha, em 2006. Em 2008, concluiu o Curso Técnico de Fotografia na ETIC – Escola de Tecnologias, Inovação e Criação, em Lisboa, onde desenvolveu e aprofundou a sua prática na área da fotografia. Durante o seu percurso académico, participou em diversas exposições individuais e coletivas. Após um estágio e alguns anos de colaboração com a revista Volta ao Mundo, a fotografia documental e de viagem assumiu uma importância crescente no seu percurso artístico.
Desde 2012, vive e trabalha em Timor-Leste, onde colaborou na criação da WAP (WomenArtPower), uma estrutura que promove o empoderamento feminino através do apoio à criação e divulgação da arte produzida por mulheres, procurando contribuir para o reconhecimento do seu papel e da sua capacidade de intervenção numa sociedade ainda marcada por profundas desigualdades de género. Em 2014, publicou, em colaboração com José Ramos-Horta e Xanana Gusmão, o livro de fotografia Aqui Onde o Sol, Logo em Nascendo, Vê Primeiro, dedicado à singularidade das celebrações do Natal em Timor-Leste.
Inspirada pelo artesanato e pelo trabalho manual das mulheres timorenses, nomeadamente pela cestaria e pela tecelagem, desenvolveu, em 2017, o seu primeiro corpo de trabalho que conjuga a fotografia com estas técnicas tradicionais. Nesse mesmo ano, apresentou o seu trabalho pela primeira vez na The Asia Foundation, em Díli.
Para além da fotografia documental, desenvolvida no âmbito da sua colaboração com revistas e jornais, a artista explora as possibilidades plásticas e visuais da imagem fotográfica, recorrendo a técnicas e padrões inspirados na cestaria e na tecelagem, que adapta aos diferentes contextos geográficos e culturais que atravessa. A aparente aleatoriedade dos objetos e dos sujeitos fotografados, em diálogo com as composições e texturas que cria, confere às suas imagens uma dimensão visual singular, conduzindo o seu trabalho também ao espaço expositivo, em galerias e instituições culturais.
O seu trabalho cruza frequentemente a dimensão documental com uma abordagem íntima e pessoal, explorando a memória, a identidade e as relações entre diferentes tempos e geografias. Através de imagens do arquivo familiar, nomeadamente de recordações das férias de verão passadas em Itália, que coloca em diálogo com fotografias de pessoas que viveram experiências semelhantes várias décadas antes, constrói narrativas visuais que, partindo de vivências individuais, despertam uma identificação mais ampla e universal.
Movida pela curiosidade e pela vontade de compreender as realidades que observa, Raquel Belli explora a estética dos arquivos fotográficos e os universos temporais e culturais que estes evocam, cruzando elementos reconhecíveis de épocas passadas — como a moda, os penteados, as poses e os cenários europeus — com referências visuais e sensoriais de paisagens tropicais. Deste encontro resulta um contraste visual marcante e inesperadamente simbiótico, que traduz a sua abordagem artística: a conjugação da fotografia contemporânea com técnicas artesanais tradicionais.
Consciente de que a transmissão oral entre gerações está, por natureza, sujeita a perdas e interpretações, e de que a memória nem sempre constitui um registo fiável do passado, a artista deixa que cada obra fale por si, abrindo espaço a diferentes leituras e experiências.
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Raquel BelliTrama Habitada I - Luz, 2026Inkjet prints on Epson Premium Semigloss 260g/m2 paper interwoven using basketry and weaving techniques48 x 33 cmView more details -
Raquel BelliTrama Habitada II - Fragmento, 2026Inkjet prints on Epson Premium Semigloss 260g/m2 paper interwoven using basketry and weaving techniques48 x 28 cmView more details

