"Arquiteturas do Invísivel": A exposição individual do artista açoreano Gabriel Garcia no Auditório Augusto Cabrita, no Barreiro

  • "Entre o visível e o imaginado, existem estruturas que nos sustentam."

  • 'Arquitecturas do Invisível apresenta o mais recente capítulo da investigação pictórica de Gabriel Garcia, um artista que constrói uma linguagem...

    "Arquitecturas do Invisível apresenta o mais recente capítulo da investigação pictórica de Gabriel Garcia, um artista que constrói uma linguagem profundamente enraizada na insularidade, na suspensão e na fragilidade da presença humana. Como o próprio afirma, “a definição de obra de arte é um processo” e é precisamente nesse processo, feito de silêncio, composição, gesto e matéria, que esta mostra se inscreve, trazendo a público 40 obras inéditas.

    Partindo da paisagem atlântica como território emocional e simbólico, Gabriel Garcia cria imagens onde figuras anónimas habitam margens, plataformas frágeis, superfícies de água ou espaços despojados. São corpos que parecem existir num estado intermédio, num tempo suspenso entre o real e o simbólico. Não são retratos, mas presenças: arquétipos silenciosos de experiências universais de procura, introspecção e sobrevivência."


    - Claúdia Magalhães, Curadora

  • 'Há, nas imagens de Gabriel Garcia, qualquer coisa de teatral e cinematográfico. Cada pintura parece fixar um instante: um frame...

    "Há, nas imagens de Gabriel Garcia, qualquer coisa de teatral e cinematográfico. Cada pintura parece fixar um instante: um frame retirado de uma narrativa maior, cujo antes e depois permanecem fora de campo.

    As personagens parecem obedecer a regras que não conhecemos, envolvidas em acções cuja lógica permanece deliberadamente aberta.

    A Estação Ínsula — esse laboratório poético de isolamento e resistência — atravessa silenciosamente este universo. A ilha deixa de ser apenas território: torna-se condição, memória, espelho e lugar de transformação. Não é feita de pedra, mas de relações, memórias, ausências, desejos e vínculos invisíveis.
    O vazio, tão presente na prática do artista, não é ausência. É espaço de possibilidade: o lugar onde a luz revela estados de consciência e onde o quotidiano se transforma em símbolo.

    Gabriel Garcia pinta o instante em que uma história é interrompida. E passa o testemunho ao espectador. Cabe-nos imaginar o que aconteceu antes, o que poderá acontecer depois, aquilo que une ou separa as figuras, aquilo que se esconde por detrás do que vemos. É nesse intervalo entre presença e ausência, realidade e imaginação, que o invisível começa a tornar-se perceptível."

  • "O artista constrói inúmeras narrativas neste percurso que é seu e, simultaneamente, nosso: um lugar para o habitarmos. E, nesse lugar, a pintura devolve-nos a tarefa de continuar o processo.

     

    Talvez seja essa a força silenciosa da insularidade: transformar um território numa condição existencial. Como escreveu Vitorino Nemésio, 'os nossos ossos mergulham no mar'." 

  • O Artista

    O Artista

    Artista visual açoriano, vive e trabalha entre os Açores e Lisboa. A pintura e a instalação constituem o centro da sua prática artística, desenvolvida a partir de uma reflexão contínua sobre identidade, pertença e deslocamento. No seu trabalho tem explorado de forma incisiva o conceito de “não-lugar” enquanto espaço físico, emocional e simbólico, debruçando-se sobre as zonas de transição onde as fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, o individual e o coletivo, se tornam permeáveis.

     

    A sua pesquisa parte da experiência de circulação entre territórios insulares e urbanos, traduzindo-se em obras que abordam a condição contemporânea de mobilidade, desenraizamento e procura de lugar. Através de atmosferas frequentemente marcadas pela suspensão, pela solidão e pela ambiguidade, as suas pinturas convocam estados de introspeção e questionam os mecanismos que moldam a identidade e o sentimento de pertença.

     

    Influenciado pela dimensão psicológica da pintura de Edward Hopper e Edvard Munch, Gabriel Garcia utiliza a imagem como campo de investigação existencial, onde a melancolia e a vulnerabilidade se transformam em possibilidades de descoberta e reinvenção.

     

    A sua prática desenvolve-se como um processo aberto de questionamento, propondo o não-lugar não como ausência, mas como um território fértil de transformação. Através da sua obra explora as noções de fronteiras visíveis e invisíveis que estruturam a experiência humana.

  • Sobre a galeria

    THIS IS NOT A WHITE CUBE é uma galeria internacional de arte contemporânea, fundada em Luanda em 2016 e atualmente sediada em Lisboa, Portugal. Através da representação e colaboração com artistas nacionais e internacionais, tanto emergentes como consagrados, a galeria apresenta uma programação centrada em narrativas e debates relevantes associados ao contexto europeu e ao Sul Global. Com um espírito pioneiro de descompartimentação e inclusão, privilegiando diálogos interculturais, foi a primeira galeria africana em Portugal a abrir o seu círculo colaborativo tanto a artistas locais como a produções artísticas oriundas do Sul Global, incluindo o Brasil e países africanos não lusófonos. A galeria mantém uma presença regular e significativa nas principais feiras internacionais de arte contemporânea.