EMBODIED ARCHITECTURES : Projecto curatorial para a ARCO Lisboa 2026

28 - 31 Maio 2026
  • Na ARCO Lisboa 2026, a THIS IS NOT A WHITE CUBE apresenta Embodied Architectures, um projeto curatorial que entende a arquitetura para além da sua dimensão construída, abordando-a enquanto construção simbólica, material e afetiva, moldada pela memória, pelo território, pelo corpo e pelo tempo. Reunindo seis artistas que trabalham com pintura, desenho, cerâmica, escultura, luz e têxtil, a exposição propõe a arquitetura como um sistema relacional e emocional, onde o espaço emerge simultaneamente como físico, narrativo e sensorial.

     

    A pintura afirma-se como um dispositivo estruturante. Na obra de Ana Malta, paisagens mentais desdobram-se como territórios íntimos e instáveis, nos quais corpo, memória e tempo se entrelaçam. Recorrendo ao automatismo psíquico e a marcas primordiais, os seus trabalhos constroem cartografias emocionais em constante mutação. Na prática de Paulo Albuquerque, a pintura emerge de fragmentos de paisagem associados a recortes à escala humana, estabelecendo uma relação direta entre território e escala corporal, tornando a paisagem habitável e mensurável através da experiência.

  • A luz e o desenho, na obra de António Faria, operam como dispositivos de suspensão e revelação. As suas caixas de luz e trabalhos monocromáticos evocam a fragilidade da natureza, a erosão do tempo e a transitoriedade humana. Pedro Besugo aborda o desenho como uma estrutura de pensamento, expandindo-o no espaço através de mapas, plantas e grelhas que articulam geologia, arquitetura e cidade, revelando, através da instalação, lógicas invisíveis inscritas no território. 

     

    A cerâmica e os têxteis são concebidos como derme e arquitetura simbólica. Na prática da Expanded Eye, emergem arquiteturas narrativas nas quais figuras e formas flutuam entre o 2D e o 3D; a cerâmica e a escultura funcionam como relicários contemporâneos, explorando as dimensões espirituais e temporais da experiência humana. Na obra de Vanessa Barragão, os têxteis combinados com cerâmica constroem arquiteturas orgânicas e ecossistemas regenerativos, evocando ruínas vivas e futuros possíveis. 

     

    Em conjunto, as obras formam uma arquitetura sensível e estratificada, onde construir é também sentir, recordar e habitar.

  • ANA MALTA

    ANA MALTA (n. 1996, Portugal) é uma artista visual que vive e trabalha em Lisboa. Com formação académica em Pintura...

    ANA MALTA (n. 1996, Portugal)  é uma artista visual que vive e trabalha em Lisboa. Com formação académica em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e um mestrado em Gestão das Indústrias Criativas pela Universidade Católica Portuguesa, Ana Malta desenvolve um trabalho em que a cor, os padrões e a composição se tornam a base da sua expressão visual. A sua prática artística é impulsionada por uma inquietação estética e pelo potencial transformador do “erro” enquanto ferramenta criativa.

     

    O trabalho de Ana Malta vai além da exploração da forma e da cor; transforma-se num espaço de investigação da expressão, do corpo, da memória e da relação entre o tangível e o inconsciente. A sua procura estética é pautada pelo contraste, pelo estudo das possibilidades compositivas e pela interação entre o erro e a intencionalidade. Ana Malta cria não apenas imagens, mas experiências visuais que dialogam com a perceção e a emoção do observador.

     

    • Ana Malta Declamo a Sina, 2026 Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas 150 x 100 cm
      Ana Malta
      Declamo a Sina, 2026
      Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas
      150 x 100 cm
      Sold
    • Ana Malta Limbo do Difuso, 2026 Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas 150 x 150 cm
      Ana Malta
      Limbo do Difuso, 2026
      Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas
      150 x 150 cm
    • Ana Malta Hino da Solidão, 2026 Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas 150 x 100 cm
      Ana Malta
      Hino da Solidão, 2026
      Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas
      150 x 100 cm
    • Ana Malta Petisco da Casa, 2026 Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas 100 x 150 cm
      Ana Malta
      Petisco da Casa, 2026
      Acrylic, soft pastel, and oil bar on canvas
      100 x 150 cm
  • ANTÓNIO FARIA

    ANTÓNIO FARIA

    ANTÓNIO FARIA  (n. 1966, Portugal) desenvolve uma prática centrada no desenho, privilegiando obras monocromáticas de grande formato que exploram representações figurativas e realistas de uma natureza exuberante, revisitando os géneros tradicionais da paisagem e da natureza-morta. Através de uma linguagem visual simultaneamente delicada e intensa, o artista constrói uma visão melancólica da fragilidade do mundo natural, evocando atmosferas suspensas entre a memória, a ausência e a mortalidade.

     

    Expandindo frequentemente o desenho para instalações multimédia que incorpora vídeo, som e luz, António Faria cria ambientes imersivos que amplificam a dimensão sensorial e contemplativa da sua obra. As suas obras sugerem paisagens em transformação ou declínio, onde a presença humana é apenas indiretamente intuída, convidando o observador a uma reflexão mais profunda sobre o tempo, a impermanência e a relação entre natureza e existência.

     

    Licenciado em Design de Comunicação pelo IADE e tendo concluído o Curso Avançado de Artes Visuais no Ar.Co, o seu trabalho foi apresentado em diversas exposições individuais e coletivas, em Portugal e internacionalmente.

     

    • António Faria Untitled, 2026 Acrylic pen on raw linen canvas 140 x 110 cm
      António Faria
      Untitled, 2026
      Acrylic pen on raw linen canvas
      140 x 110 cm
    • António Faria Untitled, 2026 Acrylic pen on raw linen canvas 100 x 70 cm
      António Faria
      Untitled, 2026
      Acrylic pen on raw linen canvas
      100 x 70 cm
    • António Faria Untitled, 2026 Acrylic pen on raw linen canvas 100 x 70 cm
      António Faria
      Untitled, 2026
      Acrylic pen on raw linen canvas
      100 x 70 cm
    • António Faria There is a crack in everything #5, 2025 Acrylic pen and pastel on paper 65 x 50 cm
      António Faria
      There is a crack in everything #5, 2025
      Acrylic pen and pastel on paper
      65 x 50 cm
    • António Faria Road to Nowhere #3, 2025 Acrylic pen on raw linen canvas 30 x 15 cm
      António Faria
      Road to Nowhere #3, 2025
      Acrylic pen on raw linen canvas
      30 x 15 cm
    • António Faria Road to Nowhere #4, 2025 Acrylic pen on raw linen canvas 30 x 15 cm
      António Faria
      Road to Nowhere #4, 2025
      Acrylic pen on raw linen canvas
      30 x 15 cm
    • António Faria Road to Nowhere #5, 2025 Acrylic pen on raw linen canvas 30 x 15 cm
      António Faria
      Road to Nowhere #5, 2025
      Acrylic pen on raw linen canvas
      30 x 15 cm
  • EXPANDED EYE

    EXPANDED EYE

    EXPANDED EYE (n.2010, Reino Unido) são um duo artístico multidisciplinar sediado em Lisboa, formado pelos britânicos Jade Tomlinson e Kevin James, em Londres, no ano de 2010. Com formação em Design Gráfico e Ilustração, a sua prática multidisciplinar abrange street art, instalação site-specific, assemblage em madeira recuperada, tatuagem e, mais recentemente, cerâmica. Assente num processo intuitivo e profundamente colaborativo, o seu trabalho explora temas como identidade, transformação, liberdade e as complexidades estratificadas da existência humana.

     

    Viver em Lisboa influenciou profundamente a evolução da sua linguagem visual. A luz singular da cidade, a sua paleta cromática e a rica herança dos azulejos inspiraram o desenvolvimento de obras cerâmicas através das quais reinterpretam o labor tradicional local à luz de uma perspetiva contemporânea. Recorrendo a diferentes tipos de barro  de carácter contrastante, vidrados densamente sobrepostos e superfícies tácteis, a dupla cria painéis de azulejos tridimensionais, compostos por formas tesseladas e interligadas, semelhantes a puzzles orgânicos. Arquiteturas simbólicas que refletem a natureza mutante da transformação do ser.

     

  • PAULO ALBUQUERQUE

    PAULO ALBUQUERQUE

    PAULO ALBUQUERQUE (n.1988, Brasil) é um artista luso-brasileiro licenciado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. O seu trabalho abrange diversos campos artísticos, incluindo a pintura, a ilustração e a pintura mural, distinguindo-se por composições dinâmicas nas quais diferentes elementos, cores e texturas se entrelaçam para construir narrativas visuais estratificadas.

     

    As temáticas que explora emergem das relações humanas, dos comportamentos sociais e das interações entre espaço e objeto, frequentemente traduzidas em metáforas visuais influenciadas pelo quotidiano e pela experiência pessoal. Mais recentemente, a sua pesquisa tem-se fixado em torno da relação entre tempo, espaço e perceção, propondo uma reflexão sobre a experiência do presente num contexto marcado pela aceleração e pela saturação visual. Através de processos de acumulação, repetição e construção material, a sua prática dialoga com noções de presença, atenção e temporalidade, posicionando a obra de arte como um espaço de contemplação e resistência perceptiva.

     

    • Paulo Albuquerque Bouquet, 2026 Oil on Canvas 154 x 104 cm
      Paulo Albuquerque
      Bouquet, 2026
      Oil on Canvas
      154 x 104 cm
      Sold
    • Paulo Albuquerque Caminhos Abertos , 2026 Oil on Canvas 190 x 127 cm
      Paulo Albuquerque
      Caminhos Abertos , 2026
      Oil on Canvas
      190 x 127 cm
    • Paulo Albuquerque Núcleo, 2026 Oil on Canvas 80 x 55 cm
      Paulo Albuquerque
      Núcleo, 2026
      Oil on Canvas
      80 x 55 cm
    • Paulo Albuquerque Instante, 2026 Acrylic on canvas 198,5 x 290,5 cm
      Paulo Albuquerque
      Instante, 2026
      Acrylic on canvas
      198,5 x 290,5 cm
  • PEDRO BESUGO

    PEDRO BESUGO

    PEDRO BESUGO (n.1971, Portugal) vive e trabalha em Lisboa, desenvolvendo uma prática multidisciplinar entre o desenho, a pintura e a escultura. Partindo do desenho como estrutura de pensamento e ferramenta de interpretação do espaço, no seu trabalho investiga os sistemas que organizam e configuram o território — desde mapas, plantas e redes de circulação a estruturas urbanas e arquitetónicas. Através de grelhas, linhas de tensão e composições estratificadas, Pedro Besugo revela as lógicas invisíveis que sustentam a construção da paisagem, da cidade e da memória coletiva.

     

    Expandindo o desenho para o campo escultórico e instalativo, na sua pesquisa recente explora a relação entre geologia, arquitetura e processos de transformação. As suas obras evocam estruturas sedimentadas onde coexistem diferentes temporalidades: o tempo profundo da matéria e da geologia, e o tempo histórico das cidades em constante metamorfose. Mais do que representar lugares específicos, Pedro Besugo propõe uma reflexão sobre a instabilidade do espaço e sobre os contínuos ciclos de construção, erosão, deslocamento e reconfiguração que definem a experiência contemporânea da paisagem, criando uma espécie de arqueologia visual do território.

     

    • Pedro Besugo Hipótese de Hiparco, 2024 Mixed media on plywood 41 x 34 x 5 cm
      Pedro Besugo
      Hipótese de Hiparco, 2024
      Mixed media on plywood
      41 x 34 x 5 cm
    • Pedro Besugo Circunferência de Arquimedes, 2024 Mixed media on plywood 40 x 41 x 5 cm
      Pedro Besugo
      Circunferência de Arquimedes, 2024
      Mixed media on plywood
      40 x 41 x 5 cm
    • Pedro Besugo Círculo de Euclides, 2024 Mixed media on plywood 40,5 x 40 x 5 cm
      Pedro Besugo
      Círculo de Euclides, 2024
      Mixed media on plywood
      40,5 x 40 x 5 cm
    • Pedro Besugo Diâmetro Dórico, 2024 Mixed media on plywood 42,5 x 39 x 6 cm
      Pedro Besugo
      Diâmetro Dórico, 2024
      Mixed media on plywood
      42,5 x 39 x 6 cm
    • Pedro Besugo Círculo Argólico, 2024 Mixed media on plywood 40 x 34 x 7 cm
      Pedro Besugo
      Círculo Argólico, 2024
      Mixed media on plywood
      40 x 34 x 7 cm
    • Pedro Besugo Urban Fault Line, 2026 Mixed media on plywood 116,5 x 100,5 x 7,5 cm
      Pedro Besugo
      Urban Fault Line, 2026
      Mixed media on plywood
      116,5 x 100,5 x 7,5 cm
    • Pedro Besugo Urban Pre-Collapse, 2026 Mixed media on plywood 104 x 110 x 7,5 cm
      Pedro Besugo
      Urban Pre-Collapse, 2026
      Mixed media on plywood
      104 x 110 x 7,5 cm
  • VANESSA BARRAGÃO

    VANESSA BARRAGÃO

    VANESSA BARRAGÃO (n. 1992, Portugal), uma das mais conceituadas artistas têxteis da nova geração portuguesa, situa a sua prática no domínio da biomimética, recriando ecossistemas marinhos através de técnicas têxteis tradicionais, como o croché e o latch hook. Os seus “murais” de grande escala e instalações escultóricas, produzidas com materiais reciclados, evocam paisagens subaquáticas em transformação. O seu trabalho transcende o campo artístico, estendendo-se também à representação institucional.

     

    Ao fundir tradição e urgência ecológica, a sua prática afirma a Natureza não apenas como tema, mas como modelo e agente ativo de criação, inspirando processos de regeneração ecológica e cultural num mundo marcado pela emergência climática.

     

    Em linha com o movimento modernista da escultura em fibra, desenvolvido a partir de meados do século XX, Vanessa Barragão apropria-se de técnicas ancestrais e de materiais tradicionais para os  redefinir à luz de abordagens renovadas e inovadoras. Tal como artistas pioneiras da fibre art, como Françoise Grossen, que romperam pela primeira vez com o “retângulo”, com a moldura e posteriormente com a parede, expandindo assim as possibilidades do meio, Vanessa Barragão experimenta a espacialidade, a gravidade e a dimensionalidade, transcendendo o peso e as limitações dos materiais.

    • Vanessa Barragão Vital , 2024 Upcycled materials: wool and tencel, Latch hook, crochet, and other fiber manipulations 220 x 110 x 35 cm
      Vanessa Barragão
      Vital , 2024
      Upcycled materials: wool and tencel, Latch hook, crochet, and other fiber manipulations
      220 x 110 x 35 cm
    • Vanessa Barragão Strata I, 2026 Recycled materials, wool, tencel, metal, plaster, acrylic paints, latch hook, crochet, and other fiber manipulations 80 x 35 x 20 cm
      Vanessa Barragão
      Strata I, 2026
      Recycled materials, wool, tencel, metal, plaster, acrylic paints, latch hook, crochet, and other fiber manipulations
      80 x 35 x 20 cm
    • Vanessa Barragão Strata II, 2026 Recycled materials, wool, tencel, metal, plaster, acrylic paints, latch hook, crochet, and other fiber manipulations 90 x 36 x 16 cm
      Vanessa Barragão
      Strata II, 2026
      Recycled materials, wool, tencel, metal, plaster, acrylic paints, latch hook, crochet, and other fiber manipulations
      90 x 36 x 16 cm
  • SOBRE A GALERIA

    SOBRE A GALERIA

    SOBRE A GALERIA

    THIS IS NOT A WHITE CUBE é uma galeria internacional de arte contemporânea, fundada em Luanda em 2016 e atualmente sediada em Lisboa, Portugal. Através da representação e colaboração com artistas nacionais e internacionais, tanto emergentes como consagrados, a galeria apresenta uma programação centrada em narrativas e debates relevantes associados ao contexto europeu e ao Sul Global. Com um espírito pioneiro de descompartimentação e inclusão, privilegiando diálogos interculturais, foi a primeira galeria africana em Portugal a abrir o seu círculo colaborativo tanto a artistas locais como a produções artísticas oriundas do Sul Global, incluindo o Brasil e países africanos não lusófonos. A galeria mantém uma presença regular e significativa nas principais feiras internacionais de arte contemporânea.