Madalena Pequito Portugal, 1996

Apresentação

 

Madalena Pequito é uma artista visual portuguesa que vive e trabalha em Lisboa. Estudou Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e concluiu o mestrado em Art and Cultural Enterprise na Central Saint Martins, em Londres. Atualmente, frequenta o Doutoramento em Pintura, com financiamento da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

 

A sua prática artística parte da pintura e expande-se para a instalação e para formas de expressão participativas e colaborativas. O seu trabalho explora questões de identidade, diferença cultural, memória coletiva e as complexas relações através das quais os indivíduos constroem um sentido de pertença. No centro da sua investigação encontra-se uma reflexão contínua sobre as raízes, tanto no seu sentido literal como metafórico. Estabelecendo paralelos entre as redes subterrâneas das árvores e as estruturas das relações humanas, investiga a forma como a família, a cultura, a memória e as narrativas herdadas moldam a nossa compreensão de quem somos e dos lugares a que pertencemos.

 

Nas suas obras mais recentes, as árvores e as suas raízes assumem um papel central, tornando-se metáforas das relações humanas, da interdependência e da preservação da memória. A artista interessa-se particularmente pela forma como nos conectamos, preservamos as nossas diferenças e mantemos vivas as histórias que constituem a nossa identidade. A partilha de histórias, sobretudo das imaginadas, ocupa também um lugar importante na sua prática. Ao serem contadas, estas histórias transformam-se, adquirindo novos significados, emoções e possibilidades de existência. Paralelamente, explora universos festivos e coletivos, espaços onde a memória é desafiada e a identidade pode ser reinventada, privilegiando o encontro, a convivência e aquilo que verdadeiramente nos une.

 

O seu trabalho é também informado pelas contradições e vulnerabilidades inerentes à vida artística contemporânea. O sacrifício, a insegurança, a ansiedade, o medo e a incerteza não são apenas temas presentes na sua prática, mas experiências que se incorporam na sua linguagem visual e material. Ao aproximar narrativas íntimas e coletivas, Pequito cria espaços onde as questões de identidade e pertença permanecem abertas, instáveis e em constante negociação.

 

O seu processo criativo desenvolve-se num diálogo contínuo entre palavras e imagens. Por vezes, parte de pensamentos ou anotações espontâneas; noutras ocasiões, é a própria imagem que antecede o texto. Embora se relacionem, palavras e imagens são entendidas como entidades autónomas, preservando a força estética da pintura enquanto linguagem independente.

 

Movida pela cor, pela textura e pelo contraste, explora a tensão entre o inacabado e a saturação visual, entre aquilo que permanece por revelar e aquilo que se impõe ao olhar. Através de padrões, movimento e formas orgânicas, procura construir imagens que captem momentos suspensos: a iminência de um acontecimento, o instante que antecede algo ou uma história que permanece em aberto.

 

Madalena Pequito tem apresentado o seu trabalho internacionalmente, em Portugal, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Itália, Macau e Budapeste. Participou em eventos e exposições como a Contextile Bienal, em Guimarães, a ArtFem Macau Biennial e a Chicago Art Fair, tendo igualmente exposto em Nova Iorque, Budapeste, Macau e Lisboa.

 

Foi distinguida com uma bolsa da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, que apoiou a realização de residências artísticas em Nova Iorque, nas instituições Kunstraum LLC e Mothership. O trabalho desenvolvido durante este período culminou na exposição individual Shared Roots / Private Jokes, apresentada em 2024 na Freight+Volume Gallery, em Tribeca, Nova Iorque, com o apoio da FLAD, do Instituto Camões e do Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque.

Obras
  • Falas da festa, do Sol e do prazer
    Madalena Pequito
    Falas da festa, do Sol e do prazer, 2026
    Oil, pigment, acrylic, oil stick, and dry pastel on canvas
    85 x 66 cm
  • Mas nunca aceitaste o convite
    Madalena Pequito
    Mas nunca aceitaste o convite, 2026
    Oil, pigment, acrylic, oil stick, and dry pastel on canvas
    85 x 66 cm
  • Onde quer que vá, elas vão comigo
    Madalena Pequito
    Onde quer que vá, elas vão comigo, 2026
    Acrylic, oil stick, and dry pastel on paper
    126 x 96 cm
  • Tens medo de te dar e não é teu o que queres vende
    Madalena Pequito
    Tens medo de te dar e não é teu o que queres vende, 2026
    Oil, pigment, acrylic, oil stick, and dry pastel on canvas
    85 x 106 cm
  • Teorizar o que se sente
    Madalena Pequito
    Teorizar o que se sente, 2026
    Oil stick, pigment, acrylic, and dry pastel on canvas
    64 x 103 cm