Drawing Room Lisboa 2026: "Archipelago", mostra coletiva por António Faria, Gabriel Garcia e Paulo Albuquerque aka Cesáh para a Drawing Room Lisboa 2026

Sociedade Nacional de Belas-Artes, Rua Barata Salgueiro, 36 1250-044 Lisboa (Portugal),
Apresentação
https://v2.ticketline.pt/events/drawing-room-lisboa-2026-arte-contemporanea?locale=pt Quinta-feira, 22 de out., das 14:00 às 16:00h - APENAS POR CONVITE; Quinta-feira, 22 de out., das 16:00 às 21:00h; Sexta-feira, 23 de out., das 14:00 às 21:00h; Sábado, 24 de out., das 11:00 às 21:00h; Domingo, 25 de out., das 11:00 às 18:00 h. https://drawingroom.pt/

Para a Drawing Room Lisboa 2026, a THIS IS NOT A WHITE CUBE apresenta Archipelago, uma seleção curatorial de obras dos artistas contemporâneos António Faria, Gabriel Garcia e Paulo Albuquerque aka Cesáh, cujas práticas exploram questões de deslocamento, pertença e construção da subjetividade através de geografias físicas, emocionais e digitais.

 

Reunindo desenho, pintura, instalação e media digital, o projeto propõe o arquipélago como um modelo conceptual para pensar formas de relação construídas entre distância, memória e interconexão. Longe de uma leitura estritamente geográfica, o arquipélago surge como uma estrutura dinâmica onde elementos autónomos coexistem, comunicam e produzem novos significados. A partir de linguagens distintas, os três artistas exploram espaços de transição e estados de suspensão, refletindo sobre a forma como habitamos territórios marcados pela mobilidade, pela instabilidade e pela multiplicidade de experiências.

 

A obra de Gabriel Garcia emerge da experiência de habitar e circular entre territórios insulares e continentais, refletindo sobre o não-lugar enquanto condição existencial da contemporaneidade. As suas pinturas constroem espaços de suspensão onde paisagem, memória e figura humana coexistem num estado permanente de transição. Marcados pela solidão, pela ambiguidade e pelo estranhamento, estes territórios tornam-se metáforas da procura de pertença e da instabilidade das identidades contemporâneas. No seu trabalho, o não-lugar surge como um espaço de possibilidade, onde a distância e a indefinição se transformam em condições para a reinvenção.

 

Na prática artística de António Faria, a memória e a melancolia revelam a fragilidade das construções identitárias. Através de representações figurativas e realistas de uma natureza exuberante, o artista revisita os géneros da paisagem e da natureza-morta para construir territórios íntimos habitados por vestígios, silêncios e narrativas incompletas. As suas obras evocam estados de distância emocional que refletem experiências mais amplas de fragmentação e desconexão, onde a natureza surge como um espaço de contemplação, permanência e inscrição do tempo.

 

Cesáh transporta estas questões para o domínio digital. Através de imagens mediadas pela tecnologia, processos de colagem e ambientes virtuais, o artista explora a forma como as subjetividades contemporâneas se constroem em redes imateriais de informação e representação. As suas composições organizam-se como ecossistemas visuais onde objetos, signos e fragmentos narrativos coexistem em sistemas abertos de relação, sugerindo uma condição arquipelágica marcada pela dispersão, pela conectividade e pela constante negociação da identidade.

 

Entre paisagens, memórias e ecologias digitais, Archipelago propõe uma reflexão sobre as múltiplas formas de habitar o mundo contemporâneo. O arquipélago surge não como um conjunto de entidades isoladas, mas como uma estrutura relacional onde singularidade e ligação coexistem, revelando a distância como espaço de encontro, transformação e possibilidade.

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