ARCO Lisboa 2026: Exposição Colectiva: Ana Malta, António Faria, Expanded Eye, Paulo Albuquerque, Pedro Besugo & Vanessa Barragão

Cordoaria Nacional Av. da Índia 1300-598 Lisboa, Portugal,
Apresentação

Embodied Architectures” é um projeto curatorial que compreende a arquitetura num sentido expandido: não apenas como forma construída, mas como uma construção simbólica, material e afetiva que articula corpo, território, memória e tempo. Reúnem-se 6 artistas cujas práticas configuram uma arquitetura plural, composta por sistemas relacionais, onde o espaço é simultaneamente físico, emocional e narrativo.

 

A pintura afirma-se como um dispositivo estruturante. Na obra de Ana Malta, paisagens mentais desdobram-se como territórios íntimos e instáveis, nos quais corpo, memória e tempo se entrelaçam. Recorrendo ao automatismo psíquico e a marcas primordiais, os seus trabalhos constroem cartografias emocionais em constante mutação. Na prática de Paulo Albuquerque, a pintura emerge de fragmentos de paisagem associados a recortes à escala humana, estabelecendo uma relação direta entre território e escala corporal, tornando a paisagem habitável e mensurável através da experiência.

 

A luz e o desenho, na obra de António Faria, operam como dispositivos de suspensão e revelação. As suas caixas de luz e trabalhos monocromáticos evocam a fragilidade da natureza, a erosão do tempo e a transitoriedade humana. Pedro Besugo aborda o desenho como uma estrutura de pensamento, expandindo-o no espaço através de mapas, plantas e grelhas que articulam geologia, arquitetura e cidade, revelando, através da instalação, lógicas invisíveis inscritas no território.

 

A cerâmica e os têxteis são concebidos como derme e arquitetura simbólica. Na prática da Expanded Eye, emergem arquiteturas narrativas nas quais figuras e formas flutuam entre o 2D e o 3D; a cerâmica e a escultura funcionam como relicários contemporâneos, explorando as dimensões espiritual e temporal da experiência humana. Na obra de Vanessa Barragão, os têxteis combinados com cerâmica constroem arquiteturas orgânicas e ecossistemas regenerativos, evocando ruínas vivas e futuros possíveis.

 

Em conjunto, as obras formam uma arquitetura sensível e estratificada, onde construir é também sentir, recordar e habitar.

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