INVESTEC CAPE TOWN FEIRA DE ARTE 2026: Exposição coletiva: Ana Malta, Barbara Wildenboer, Cássio Markowski, Ibrahim Bemba Kébé, Osvaldo Ferreira & Sanjo Lawal

Apresentação

 

 Inspirado no conceito de escuta, este projeto curatorial desenvolve-se como uma constelação de vozes que explora a forma como a arte contemporânea pode expandir a própria noção de escutar para além do som. A escuta, aqui, não é passiva: é um gesto ativo, incorporado e ético — uma prática de atenção que torna audível aquilo que muitas vezes é ignorado, dando forma a silêncios, ressonâncias e memórias ocultas.

 

A seleção de artistas — Ana Malta (Portugal, 1996), Barbara Wildenboer (África do Sul, 1973), Cássio Markowski (Brasil, 1972), Ibrahim Bemba Kébé (Mali, 1996), Osvaldo Ferreira (Angola, 1980) e Sanjo Lawal (Nigéria, 1997) — estabelece um diálogo transcontinental onde tradição, identidade e experimentação convergem. Cada um, a partir do seu território simbólico e cultural, apresenta obras que, mais do que serem vistas, exigem ser escutadas com atenção e presença. Ana Malta explora composições cromáticas que reverberam como ritmos visuais, captando fluxos e cadências do quotidiano. Barbara Wildenboer desenvolve uma prática que, ao combinar processos analógicos e digitais, reflete sobre a temporalidade, a interconectividade e as formas como a humanidade é moldada pela globalização, pelas crises e pelas vulnerabilidades do presente. Cássio Markowski convoca a memória e a ancestralidade, criando corpos fragmentados que ecoam narrativas coletivas soterradas. Ibrahim Bemba Kébé parte da sabedoria cultural dos Korèdugaw, transfigurando-a em gestos plásticos que ressoam entre tradição e contemporaneidade. Osvaldo Ferreira aborda continuidades e fraturas da vida angolana, onde o tecido, a cor e a textura se tornam reverberações de uma herança cultural. Por fim, Sanjo Lawal cria imagens fotográficas vibrantes que interrogam a transmissão intergeracional da tradição, compondo um território imagético que pulsa entre a espiritualidade e a imediaticidade do presente.

 

Este projeto não se limita à apresentação de obras. Configura um espaço de escuta expandida, onde ver e ouvir se entrelaçam. Resiste à imediaticidade das respostas, propondo antes pausas, intervalos e ecos que abrem espaço para a reflexão. Ao fazê-lo, cria as condições para um envolvimento ativo com a arte e com narrativas que apenas emergem quando se escolhe, verdadeiramente e em profundidade, escutar.

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